Embora muitas pessoas não saibam, nosso corpo serve como habitat para uma série de microorganismos que convivem em harmonia, principalmente em nosso sistema digestório. Muitas situações como estresse, uso de medicamentos, quimioterápicos e doenças como diabetes podem fazer com que haja uma quebra deste equilíbrio, abrindo espaço para o supercrescimento de certos microorganismos, o que pode gerar doenças.
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A cândida
é um tipo de fungo que afeta mulheres e homens de todas as
idades. Quando há um crescimento exagerado deste fungo no nosso
corpo evidenciado por exemplo nas situações que levam
à baixa imunidade (estresse, períodos de fadiga, de
má alimentação, em portadores de doenças
como câncer, após tratamentos desgastantes), o organismo
experimenta um quadro de candidíase, que, embora de difícil
diagnóstico merece tratamento e atenção.
Os sintomas da candidíase podem surgir em diversos sistemas do corpo. No sistema digestório, pode haver náuse, flatulência (gases), alergias alimentares e alterações do funcionamento intestinal como diarréia ou constipação (intestino preso). Na pele, certas alterações como acne podem estar relacionadas. As infecções vaginais freqüentes nas mulheres e as prostatites nos |
homens também podem ser causadas pela candidíase.
Embora o primeiro passo seja uma avaliação médica,
alguns cuidados com a alimentação podem ser extremamente importantes
para o controle da candidíase e tem como base a alimentação
equilibrada, capaz de evitar carências nutricionais.
O controle alimentar deve ser personalizado, elaborado após criteriosa
avaliação. A dieta deve oferecer nutrientes básicos
para um excelente funcionamento imune como selênio, zinco, vitamina
E, biotina. Alguns estudos têm demonstrado que o consumo excessivo
de alimentos ricos em açúcares (doces, bolos, tortas, pães,
balas, chocolates) pode estimular o crescimento do fungo. Além disto,
excessos de bebida alcoólica e de cafeína são contra-indicados.
Outro ponto importante é o cuidado com o consumo de alimentos mais
suscetíveis à contaminação por fungos como o
amendoim (paçocas, doces de amendoim), milho, castanha de caju e
o coco ralado. A atenção ao consumo de carnes também
é importante já que os animal pode ter ingerido alimentos
contaminados. Deve-se ainda eliminar a ingestão de queijos e pães
com a presença de fungos, cogumelos e alimentos fermentados como
a própria cerveja.
A substituição do leite comum pelo “extrato de soja
(leite de soja)” também é uma alternativa já
que a lactose, um açúcar encontrado nos laticínios
pode “alimentar” o fungo.
O consumo de alimentos capazes de melhorar o sistema imune está totalmente
indicada. Assim, além de evitar excessos de gorduras saturadas e
trans, podemos fortalecer nossas defesas ingerindo lipídos “do
bem” aumentando o consumo de azeite de oliva além de incluir
o Ômega 3, presentes nos peixes (salmão, sardinha, atum) e
na linhaça.
Os estudos feitos com alimentos funcionais (aqueles que além da função
de nutrição, podem evitar doenças, amenizar sintomas
e produzir reações benéficas à nossa saúde)
também indicam que os probióticos devem ser usados no tratamento
alimentar da candidíase. Os probióticos, encontrados no iogurte,
nos leites fermentados ou até mesmo na forma de suplementos (cápsulas
ou sachês) são bactérias benéficas capazes de
melhorar nossa flora e assim o nosso sistema imune. Se utilizados juntamente
aos prebióticos tem melhor ação. Estes últimos,
encontrados também na forma de suplementos ou presentes em alimentos
como a farinha da banana verde e na batata “Yacon”, são
carboidratos não digeríveis que também melhoram nossa
flora.
Os alimentos indicados para controle da candidíase não param
por aí. Estudos também têm sido realizados com alimentos
como cebola, alho (rico em alicina, uma substância antiinflamatória
e antifúngica), óleo de coco e algas marinhas.
Todo o trabalho de orientação alimentar para a controle da
candidíase deve ser conduzido por uma profissional, conciliando orientação
dietética ao cuidado médico. O importante é que o portador
da candidíase entenda as diversas opções que ele têm
a disposição para amenizar o problema muitas vezes desagradável.
| Texto: |
Mariana Braga Neves - coordenadora da Nutrício |

