Alimentação e o Câncer

4. Você sabe se é verdade que o bicarbonato de sódio pode curar alguns tipos de câncer? Se sim, de que forma?

Gerusa: Já li algumas matérias a respeito, mas na verdade, não há embasamento científico nenhum sobre o tratamento do câncer com bicarbonato de sódio (NAHCO3). Essa “descoberta” foi feita por um médico italiano, e segundo ele, o câncer não depende de fatores complexos (genéticos, imunológicos ou auto-imunes, como propõe a oncologia tradicional), mas ele se origina a partir de uma simples infecção causada por fungos, mais especificamente o Candida Albicans. O tratamento consiste na eliminação desse fungo usando bicarbonato de sódio. Particularmente, prefiro continuar acreditando que o câncer é uma doença caracterizada pelo crescimento anormal das células, que possui origem multicausal, sendo a interação entre fatores genéticos e ambientais uma das formas mais comuns no seu desenvolvimento.

5. Alguns especialistas acreditam que leite e derivados provocam o surgimento do câncer. Você acredita nessa possibilidade? Se sim, por quê?

Gerusa: É inegável que os laticínios, particularmente o leite, são ricos em nutrientes essenciais a saúde, como cálcio, proteína, vitamina D e riboflavina. Porém alguns estudos recentes contestam o beneficio do leite e sugerem que seu consumo constitui um risco de desenvolver câncer. Na verdade, os dados existentes não são suficientes para que se possa sustentar qualquer uma das hipóteses, contra ou a favor do consumo de leite como fator de risco para o câncer. Para se chegar a uma resposta conclusiva, seriam necessários mais estudos e testes controlados e randomizados. Enquanto isso não acontece, a comunidade científica continua indicando uma dieta rica em vegetais, com baixo teor de gordura, o que não exclui o leite e seus derivados, de preferência, desnatados.

6. Como é feita a recomendação nutricional com esses pacientes?

Gerusa: Não há uma recomendação geral da dieta que se deve adotar ao longo do tratamento, até pelas especificidades de cada pessoa (sexo, idade, estado nutricional, etc.), tipo e estágio da doença. A recomendação é procurar um especialista para acompanhar o paciente. Mas na prática diária, a terapia nutricional visa oferecer calorias de acordo com as necessidades energéticas individuais. É importante atentar para intercorrências relacionadas á dieta em qualquer momento para fazer adaptações necessárias. Outros aspectos importantes a serem observados são o fracionamento da dieta (cinco a seis refeições por dia), balanceamento e preferências alimentares para melhor aceitação da dieta. Então, cabe aos profissionais, em especial nós nutricionistas, se munirem dos vários recursos existentes na terapia nutricional, incluindo a orientação da alimentação via oral, a busca pela individualização, o uso de dicas para superação dos efeitos colaterais, assim como a opção por suplementos alimentares, que contribuirão na reversão da desnutrição e no sucesso do tratamento como um todo.

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* Gerusa Carvalho - Nutricionista em Belo Horizonte, MG com atendimento em nutrição oncológica

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