Matérias » Alimentação na AIDS / HIV
HIV e a Alimentação
O cuidado nutricional e a alimentação
para portadores de HIV
Uma boa nutrição e cuidados com a alimentação
são condições essenciais para um sistema imunológico
saudável. No entanto, pessoas com HIV / AIDS podem ter dificuldades
em assegurar uma boa nutrição por um conjunto de razões.
Tanto o próprio vírus HIV quanto os medicamentos utilizados
podem causar uma multiplicidade de problemas que afetam a saúde
nutricional do portador.
Náuseas crônicas, alteração
do paladar, perda de apetite, dificuldades em mastigar ou engolir
são fatores que influenciam o baixo percentual de adequação
das necessidades nutricionais. Ainda assim, mesmo quando o portador
é capaz de comer e beber pode haver uma diminuição
da quantidade de nutrientes absorvidos devido a diarréias
(efeito mais comum causado pela medicação). A deficiência de vitaminas e minerais é comum em pessoas infectadas pelo HIV e é atribuída à má absorção e a alterações no mecanismo do sistema imune e metabólico. Entretanto, a suplementação de micronutrientes deve ser individualizada e cuidadosa. |
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Uma infecção de HIV descontrolada pode também
aumentar a taxa metabólica, resultando em necessidades energéticas
elevadas.
Todos estes problemas de má absorção e aumento
das necessidades energéticas e nutricionais podem levar a uma
rápida perda de peso. Esta perda de peso, sobretudo de proteínas
musculares, provoca um elevado cansaço, além de reduzir
a capacidade do sistema imunológico combater outras infecções
e doenças.
Abaixo seguem algumas indicações de alimentação
para aliviar os transtornos comum:
| a) |
Perda de Peso |
Para prevenir ou reverter a desnutrição,
é necessário ter uma alimentação balanceada.
Os alimentos ricos em proteínas, como carnes, alimentos
lácteos e leguminosas, ajudam a reconstruir os músculos
e estimular o sistema imunológico, enfraquecido pelo HIV.
Além disso, o consumo de gorduras saudáveis (poliinsaturadas
e monoinsaturadas) também promove o ganho de peso. Contudo,
o consumo elevado de gorduras não é recomendado
em casos de diarréia; |
b) |
Perda do Apetite |
As náuseas e as mudanças causadas
pela medicação podem causar um decréscimo
ou mesmo perda do apetite. Neste caso, é importante consumir
refeições pequenas e freqüentes, uma vez que
o organismo consegue tolerar melhor esta forma de alimentação.
Também deve-se preferir alimentos de mais fácil aceitação, como batatas cozidas, arroz, frango, iogurte e aveia. É necessário evitar líquidos durante as refeições e comer alimentos de alta densidade energético-protéica; |
| c) |
Diarréia |
A diarréia pode ser causada por infecções
ou alguns tipos de medicação. Nestes casos, é
melhor evitar leite e derivados (iogurte e queijos) e substituir
por leite de soja e derivados. Alimentos ricos em gorduras como
frituras, bolos, salsichas, molhos, etc, também podem agravar
a diarréia. É necessário evitar alimentos ricos em fibras insolúveis (folhas, frutas com bagaço e casca e cereais integrais) e preferir fibras solúveis (aveia, maçã). E para prevenir a desidratação, deve-se beber bastante líquido (água, água de côco, bebidas isotônicas), sempre de acordo com a orientação do nutricionista. |
As pessoas com AIDS e com sistema imunitário enfraquecido têm
um risco maior de contrair doenças de origem alimentar. Por isso
é importante seguir diretrizes básicas de precaução
e segurança alimentar, tais como:
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Lavar as mãos
antes de uma refeição; |
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O manipulador de alimentos deve
ter cuidados de higiene; |
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Descongelar os alimentos congelados
na geladeira ou num forno microondas, e não à temperatura
ambiente; |
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Higienizar corretamente as frutas
cruas e as saladas cruas; |
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No caso das frutas, algumas
não devem ser oferecidas nem se passarem pelo processo
de cozimento, pois os riscos de conter agentes patogênicos
podem permanecer; |
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Não deixe alimentos perecíveis,
como leite, queijo, ovos ou restos de carne, à temperatura
ambiente por um período superior a duas horas. |
Além disso, o consumo de alimentos funcionais tem apresentado
resultados positivos na resposta imunológica e na prevenção
das alterações metabólicas resultantes da terapia
anti-retroviral. Como exemplo, podemos citar:
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Ácidos graxos ômega-3,
encontrados em peixes, algas marinhas e na linhaça, e ácidos
graxos ômega-6, encontrados em óleos vegetais (soja,
girassol e oliva): interferem na coagulação sangüínea,
no controle do processo inflamatório e na melhora da massa
corpórea magra; |
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Alicina, aliína e sulfeto de dialina,
encontrados no alho: têm função hipotensora,
fibrinolítica, anticoagulante e reduzem o colesterol; |
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Probióticos (bifidobactérias,
lactobacilos, etc.) e prebióticos (FOS e Inulina), encontrados
em bebidas lácteas, iogurtes, leites fermentados etc.:
melhoram a macrobiota intestinal, os níveis de colesterol
e o sistema imunológico. |
É importante lembrar que a funcionalidade dos alimentos depende
da quantidade ingerida diariamente e da forma de preparo.
Recomenda-se que todo paciente infectado pelo HIV seja encaminhado ao
profissional nutricionista logo após o primeiro diagnóstico
para avaliação do seu perfil nutricional, determinando
e priorizando intervenções dietoterápicas apropriadas
através de metas individualizadas, para tratar deficiências
nutricionais, manter ou restaurar a massa corporal magra e melhorar
a qualidade de vida.
Texto:Carolina Ribeiro Ferreira Duarte - Nutricionista