Alimentação na Fibrose Cística

Nutrição e má-absorção
A insuficiência pancreática se manifesta nos primeiros meses de vida. A falta de enzimas digestivas pancreáticas leva rapidamente à má-absorção de gordura, causando esteatorréia. A perda exagerada de lipídios leva à má-absorção de vitaminas A, D, E, K e Cálcio. A insuficiência hepática agrava a esteatorréia por lançar insuficientes quantidades de bile no intestino para emulsificação das gorduras.

A deficiência da vitamina A nos fibrocísticos é comum, e níveis baixos desse nutriente pode persistir, apesar da terapia de reposição enzimática e de suplementação. Esses pacientes estão com risco maior de desenvolverem hipovitaminose A, porque além da má-absorção ainda existe o estresse inflamatório da doença pulmonar e lesão hepática. No entanto, observa-se maior reserva hepática desse nutriente nestes indivíduos, quando comparados com pessoas hígidas, o que indica um fracasso no transporte ou, mobilização da vitamina A do fígado para os tecidos, ou seja, pode indicar uma deficiência na proteína carreadora de retinol (PCR), e isso é tão grave quanto as infecções, má-absorção e a própria deficiência de vitamina A.

A ingestão de vitamina A deve ser elevada o suficiente para alcançar a concentração sérica normal sem provocar efeitos colaterais, geralmente empregando-se doses diárias, que variam de 4.000 a 10.000UI (aproximadamente 2400µg). Os fatores de risco para desenvolver deficiência de vitamina K em fibrocísticos são insuficiência pancreática, doença hepática, ressecção intestinal, e antibioticoterapia. A suplementação dessa vitamina pode ser recomendada, porém não há consenso sobre a dose diária.

Níveis reduzidos de zinco, selênio, cobre e ferro são descritos na fibrose cística. Porém a suplementação com ferro não é recomendada, devido à formação de radicais livres e ao aumento do crescimento da bactéria P. aeruginosa22. O zinco é um elemento importante na composição de muitas enzimas, podendo tornar-se deficiente devido à má-absorção de gorduras em pacientes com fibrose cística, pois forma complexos com a gordura e o fósforo56.

Tratamento
É fundamental para o tratamento da fibrose cística garantir a reidratação e a reposição de sódio, especialmente nos dias de calor:

  • Boa nutrição do paciente, por meio de dieta rica em calorias sem restrição de gorduras;
  • Suplementação de enzimas pancreáticas para auxiliar a digestão;
  • Reposição das vitaminas lipossolúveis A, D, E, K;
  • Fisioterapia respiratória para facilitar a higiene dos pulmões e evitar infecções.

Caso o paciente não consiga ingerir todo o volume energético recomendado é importante fazer uso de suplementos energéticos juntamente com a terapia de reposição enzimática.

A Nutrício possui programas nutricionais específicos para o controle da fibrose cística. Trabalhamos também com o planejamento de refeições e criação de cardápios familiares (serviço de Personal Health disponível para todo o Brasil). Encontre o nutricionista mais próximo de você pesquisando em nossa Rede Credenciada de Nutricionistas.

Por: Raquel Quintão - nutricionista

Primeira parte da matéria sobre a Fibrose Cística »